domingo, 6 de maio de 2012

Chorar, baixinho
Debaixo do edredon
Pra somente o travesseiro saber.

Chorar, mas que o mundo não saiba
Porque ninguém vai entender
A maneira que dói a minha dor.

Chorar, porque só a lágrima alivia
Aquilo que já não dá pra esconder
Aquilo, que não encontro resposta

Chorar, porque não dá pra controlar
Porque a solução não vem
Porque a paciência não é meu dom

Enxugar as lágrimas rapidamente
Pra não ter que explicar o que foi
Porque ninguém quer saber o que foi.


segunda-feira, 2 de abril de 2012


Ciberhipocondria, segundo o Google, é a palavra que vem sendo usada para denominar aquelas pessoas que possuem um medo exagerado de estarem gravemente doentes e, pior de tudo, usam a Internet para se autodiagnosticarem, já que não confiam na opinião médica.

Dito isso, eu assumo: sou ciberhipocondríaca. Viram, já estou me autodiagnosticando. Para ser mais específica, meu medo não é de contrair alguma doença fatal, mas de sentir os sintomas, associados ou não à dor. E, claro, o que acontece comigo? Eu estou sempre com algum sintoma, fato que me leva a pesquisar todas as doenças existentes na web e assistir a todos os episódios de House.

Naturalmente que, em algumas ocasiões, eu me rendo e vou ao médico. E esses momentos tendem a ser um misto de constrangimento e diversão. Após explicar detalhadamente tudo o que eu estou sentindo (o que leva cerca de 30 minutos, deixando irritadíssimos os pacientes que estão na sala de espera), o médico me pede alguns exames e prescreve alguns medicamentos. Nessa hora, eu inicio a fase de confrontamento e perguntas: mas esse remédio não vai ser prejudicial à minha gastrite? Quais são os efeitos colaterais? E esses exames não podem ser complementados por mais este outro aqui?

Creio que a maioria dos médicos que eu fui, me detestam. Vários anos de faculdade e especializações para serem questionados por uma qualquer, que sabe tudo de... Wikipédia. E eu imagino a frustração deles pois, como designer, sempre uso um exemplo clássico quando os clientes tentam palpitar no meu trabalho: por acaso você vai ao médico e diz pra ele que o remédio que ele receitou não é o que você deve tomar?

É. Eu faço isso. Acho que está na hora de... trocar de exemplo.

sábado, 24 de março de 2012


Essa não é a primeira vez que eu penso no assunto, mas certamente é a primeira em que eu faço isso tão copiosa, entre a tristeza e a alegria de perceber que eu não seria ninguém se não escrevesse. Não é uma hipérbole: sem um teclado para desabafar – ou um lápis e um bloco de notas -, acredito que já teria concretizado algumas daquelas besteiras que me vêm à mente em momentos insanos, quando já não aguento mais essa dor que, por vezes, rasga meu peito, aperta meu coração e não encontra espaço para ressoar entre ouvidos capazes de escutar e compreender.

É por isso que eu escrevo: para jogar ao mundo meus problemas, talvez no desejo de encontrar uma resposta carinhosa e afável vinda de algum lugar distante; talvez para descarregar de meus ombros todo esse peso sentimental que guardo dentro de mim e nunca consegui expelir de outra forma.

Já me disseram que é da dor que nasce a melhor arte, a mais bela. Eu discordo. Não creio que falar sobre si mesmo seja uma forma de arte, nem que a identificação dos leitores ocorra pelo mérito criativo. Na maioria das vezes, apenas nos identificamos com os problemas dos outros e, nesse processo de acolhimento, tomamos como nossas as palavras deles, porque parecem que foram feitas especialmente para nós. E foram. Todos nós sofremos com coisas tão parecidas, mas não nos comunicamos, temos medo de falar! Temos vergonha de sofrer e por isso nos trancamos em nossos quartos para chorar; ou colocamos um sorriso no rosto para esconder da sociedade aquilo que pensamos que ninguém vivencia.

Sejamos sinceros para admitir que nossa vida é mais o inferno do que o céu. É exatamente isto que estou tentando ser e esse é o real motivo que me leva a escrever.

segunda-feira, 12 de março de 2012


O que toda mulher quer é ser valorizada. Depois de ser conquistada, ela quer ser reconquistada. Porque a reconquista é um processo diário, que envolve palavras, olhares e gestos.

Eu também quero ser, todos os dias, a cada pouquinho, reconquistada. Em casa, no trabalho, no amor. Quero que vejam as coisas que eu faço e reconheçam minha competência. Quero que leiam meus textos com atenção. Quero pequenos elogios sobre como o meu cabelo está bonito ou como minha roupa é legal. Quero apoio moral e um ombro pra desabafar, quando for preciso.

Quero que meus sacrifícios sejam levados em conta, que minhas crenças sejam respeitadas e meus defeitos sejam compreendidos. Quero que meus limites sejam respeitados. Quero que os outros se esforcem por mim na mesma proporção que eu faço por eles. Quero o justo, mas também quero me surpreender com alguém que fez algo sem almejar nada em troca, que o fez só por gostar de mim.

Quero tudo isso para sentir o mesmo prazer ao retribuir. Quero, enfim, o que todas queremos:  nos sentirmos amadas, para também amar sem cobranças. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011


Todo mundo é chato de perto. Começo esse texto com uma frase bem clichê, que foi usada pela Marília Pêra, dia desses, pra falar sobre as dificuldades de se manter um casamento. A frase pode ser clichê, mas seu sentido é inegavelmente verdadeiro. E eu não me refiro somente à relacionamentos amorosos, mas a qualquer um deles. Quem não pensa, durante o trabalho, em dar uma chave de braço naquele colega irritante que só fala abobrinhas? Ou, quantas vezes alguém aí já quis dar uns sopapos no amigo que não para de contar como está solitário após terminar o namoro?

Todos nós somos chatos. Chatinhos, irritativos. Basta uma intensa convivência para perceber. Falamos de coisas desinteressantes, temos alguns hábitos detestáveis e manias que não merecem ser descritas. E, mesmo assim, gostamos de reclamar de como os outros são chatos. Não percebemos, na verdade, que estamos falando de nós mesmos. Costumamos criticar aquilo que não conseguimos aceitar nos outros, mas não vemos que algo só incomoda quando não somos tolerantes. Tudo bem, nem tudo deve ser tolerado, mas a maioria das coisas, pode.

E, enquanto estamos ali, tentando mudar os outros, perdemos a oportunidade de nos modificar. Talvez, se nos colocássemos no lugar daquele que nos incomoda, perceberíamos como ele também nos acha chato e passaríamos mais tempo pensando em nós.


Sabem o que é pior do que sentir dor? Ter medo de sentir dor.

Nossos medos são os problemas mais difíceis de encarar. Sim, porque quando existe uma dificuldade externa, você vai lá e resolve. Agora, o temor ou o pavor que o cérebro cria em relação as coisas só pode ser solucionado pelo próprio criador. E como?

Transformar padrões de pensamento não é uma atividade simples, nem possui fórmula pronta. Exige muito esforço e tentativas. E o resultado, quase sempre, é desanimador. É preciso ter paciência e vontade. E, às vezes, aprender a conviver com as engenhosidades de nossa mente.

Enfim, não creio que exista um caminho único para superar as temerosidades, até porque cada um tem seus próprios medos, peculiares, estranhos, engraçados. Eu tenho medo de sentir dor. E eu sempre sinto dor. No fundo, eu sei que só vou parar de sentir dor quando deixar de ter medo. Aí, voltamos à questão anterior: como? Já usei várias táticas, mas ainda não encontrei a correta. Enquanto isso, vou tentando. Algum dia dá certo.


Confesso, às vezes me sinto decepcionada comigo. Tenho me portado de forma intolerante e perdido o controle com coisas pequenas. Coisas insignificantes. Pura implicância, sabe? É como se o tanque de pequenos incômodos estivesse transbordando, e cada nova gotinha fizesse muita diferença. No fundo, é tudo resultado de uma mistura de estresse, insegurança e imaturidade. Mas quem nunca?


É, eu sei que tenho que melhorar. E me cobro muito, neste sentido. Me cobro demais, às vezes, e me culpo por andar à passes lentos. Porque eu queria ser perfeita, queria ter todas as qualidades do mundo, mas quem nunca?

Reluto, sim, em ceder às mudanças. Sou orgulhosa. Quero tudo do jeito que imagino que deve ser. Mas ando descobrindo que tudo pode ser mais leve se eu aceitar as tortuosidades do caminho. Aceitar as minhas tortuosidades. Ainda preciso aprender muito, soltar as rédeas, me soltar. Mas quem não precisa?