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terça-feira, 1 de abril de 2014

Amigas, leiam com atenção:


Se você usar um vestido curto para ir numa balada, isso não significa que você quer ser estuprada.
Se você usar um vestido curto para ir numa balada com o intuito de transar, isso não significa que você quer ser estuprada.
Se você usar um vestido curto para ir numa balada com o intuito de transar e, para isso, resolver dançar sensualmente na frente de um cara, isso não significa que você quer ser estuprada.
Se você usar um vestido curto para ir numa balada com o intuito de transar, dançar sensualmente na frente de um cara, aceitar ir para a casa dele, tirar a roupa mas, na hora H, resolver que não quer continuar, isso não significa que você quer ser estuprada. 

Se você necessitar passar por um local escuro, sozinha, à noite, não significa que você quer ser estuprada.
Se você necessitar passar por um local escuro, sozinha, à noite, com roupas sensuais, não significa que você quer ser estuprada.
Se você optar passar por um local escuro, sozinha, à noite, com roupas sensuais, não significa que você quer ser estuprada.

Se você se despir para manifestar-se artisticamente, protestar ou apenas passear por aí, não significa que você é, necessariamente, uma puta.
Se você se despir para manifestar-se artisticamente, protestar ou apenas passear por aí, não significa que você não tenha os mesmos direitos que qualquer outra mulher ou homem.
Se você se despir para manifestar-se artisticamente, protestar ou apenas passear por aí, não significa que você quer ser estuprada.

Resumindo: nenhuma mulher, sobre nenhuma condição, quer e merece ser estuprada.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Há algum tempo atrás, dizia-se que as mulheres que admitiam gostar de sexo, que caçavam os homens - e  muitos deles ao mesmo tempo - e que trocavam de parceiros constantemente, estavam invertendo os valores sociais e morais, já que mulher devia ser um exemplo de bom comportamento para os filhos e para o resto do mundo.

Mas como o mundo gira, aquelas que antes eram consideradas vulgares e despudoradas foram se tornando a maioria e, por isso mesmo, passaram a ser aceitas, respeitadas e até mesmo reverenciadas por seus atos, já que mostravam que as mulheres tinham conquistado o direito de fazer o que quisessem de suas vidas - e de seus corpos.

E tudo seguia normal, até que uma marca de cerveja e uma cantora mais ou menos resolveram sair por aí querendo complicar aquilo que já estava resolvido, ao dizer que ser safada era ter um casamento certinho e nunca falar de sexo, já que os pais a ensinaram que mulheres deviam ser castas e obedientes por toda a vida. A moçoila teve a ingenuidade de dizer que era saidinha porque dançava em cima da mesa. Quer dizer, a ideia é inverter novamente os valores e fazer todo mundo voltar à época pré-feminismo, onde uma mulher mostrar a perna já era algo muito ousado.

Pode ser só uma campanha publicitária, mas certamente ela foi bolada por homens e, eu me arrisco a dizer que existe, sim, uma mensagem subliminar nesta história, para que as mulheres voltem a ser 'santinhas', certinhas e podadas em suas atitudes. É um retrocesso.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Me lembro muito bem quando uma professora de Literatura, que me deu aulas no segundo grau, falava que os brincos eram apenas uma forma que os homens inventaram para reprimir a liberdade feminina, limitando suas vidas à maternidade. Ela explicava que, baseando-se em princípios da acupuntura, os chineses furavam as orelhas de suas jovens esposas para que seus úteros se desenvolvessem mais rapidamente e elas pudessem procriar.

Essa teoria me marcou muito, principalmente porque eu sempre detestei brincos. São incômodos, e não creio que embelezam. Na verdade, esses adornos me parecem vulgares. Só que, até aquele momento, eu acreditava que minha ojeriza a estes acessórios era apenas um gosto pessoal. Não era. Era uma forma de ver a vida.

Mas isso não tem apenas a ver com uma história contada por uma professora feminista. E não se resume à minha opção por não usar brincos. O fato é que, apesar de muitas tentavivas, eu nunca consegui me enquadrar no contexto social feminino, preocupando-me com roupas, cabelo e limpeza da casa. E não digo isso com alegria, pois sempre me incomodei bastante com comentários referentes a falta de importância que eu dava ao aprimoramento do visual. Mas isso não pode ser rotulado como descuido, até porque sempre mantive os cuidados que considero essenciais para me sentir bem. É falta de interesse, é a existência de outros interesses e também é a necessidade de me sentir livre desses clichês femininos.

Aí que entra, novamente, a tal da teoria dos chineses e suas esposas fadadas à maternidade. Eu explico: nunca permiti que ninguém tentasse me enquadrar em uma forma de vida padronizada ou me tratasse como mulherzinha. Porque eu não sou. Não é uma crítica àquelas que gostam de ser assim, de seguir normas impostas por uma sociedade machista. Mas é um desabafo por ver que muitas não percebem quem são, já que não são ninguém...